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quarta-feira, novembro 11, 2009

no silêncio da chuva

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Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

4 comentários:

  1. E não é que eu gosto desta pessoa que assina Fernando Pessoa?
    Tem poemas lindos o rapaz...!
    Mas também me tem feito rir algumas vezes...
    Rio-me quando passo no Chiado e vejo "bonecas" sentadas no colo dele a pousarem para a posteridade e cavalheiros de gangas e ténis a beberem um cópito de cerveja, com ele, sentados à sua mesa.
    Até me parece que tenho alguns "bonecos" de momentos desses.
    Boa semana
    Maria

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  2. O que lhe vale é que agora é um "homem" de ferro ou, com tanta "boneca" ao colo, fundia o engenho poético.

    ;)

    Boa semana.

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  3. Excelente poema, num belissimo blog, é a primeira vez que por aqui passo, mas adorei, como adoro Fernando Pessoa

    Muitos parabens

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  4. Penso logo existo, os parabéns vão para o Senhor Fernando Pessoa, porque o resto é poesia kitschunga.

    Saúde.


    [Falta uma vírgula ao Descartes para atingir a verdadeira sabedoria:
    Penso, logo existo!]

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