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sexta-feira, março 19, 2010

2 sonetos

Soneto da Donzela Ansiosa

Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.


Soneto da Puta Novata

Dizendo que a costura não dá nada,
Que não sabe servir quem foi senhora,
A impulsos da paixão fornicadora
Sobe d'alcoviteira a moça a escada.

Seus desejos lhe pinta a malfadada,
E a tabaquanta velha sedutora
Diz-lhe: "Veio menina, em bela hora,
Que essas, que aí tenho, já não ganham nada".

Matricula-se aqui a tal pateta,
Em punhetas e fodas se industria,
Enquanto a mestra lhe não rifa a greta:

Chega, por fim, o fornicário dia;
E em pouco a menina de muleta
Passeia do hospital na enfermaria.

Bocage

3 comentários:

  1. Ó Chico!

    Estes dois são mesmo para conservar em azeite puro
    de oliveira!

    Abraço

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  2. hehehehe... já estão na latinha

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  3. O CAMINHO DA CRUZ


    A cruz tem seu caminho,


    sem fuso horário e areia de ampulheta –


    na fita do asfalto,


    no brejo, no pântano,


    dentro das rochas mais duras,


    na poeira da estrada,


    no meio do povo com suas pessoas...


    O caminho da cruz não tem roteiro fixo,


    não oscila como pêndulo de relógio,


    não começa nem termina no Calvário


    nem acompanha a elipse dos astros...


    Transcende a terra e o infinito


    e segue além da Vida


    com seus braços abertos


    e uma razão de querer e de existir –


    o coração batendo sem ousar morrer!


    ******

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