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domingo, dezembro 02, 2012

da mulher, de Semónides





Diferente fez o deus a mente da mulher, logo
de início, Uma, fê-la da porca de longas cerdas.
Na casa desta está tudo sujo de imundície,
tudo desarrumado, tudo espalhado pelo chão.
E a própria está sentada no esterco, sem se lavar,
com roupa suja, e não faz mais que engordar.

Outra, fê-la o deus da raposa matreira,
Outra, fê-la da cadela estuporada: a cara da mãe.
Outra foi feita de uma burra bem espancada:
Outra foi feita a partir da macaca. Esta é a pior
Outra foi feita a partir da abelha. Feliz quem a apanha!
Quando um homem parece estar a divertir-se
em sua casa, por vontade divina ou graça humana,
ela lá encontra com que se chatear e arma-se para a zaragata.
Pois onde há mulher, os homens nem podem
receber amistosamente um convidado em casa.
Aquela que parece mais honesta,
essa é a que comete maiores tropelias.
O marido fica de boca aberta, enquanto
os vizinhos gozam, vendo como está enganado.
Cada homem quererá louvar a sua mulher,
mas quererá também censurar a do outro.
Até parece que não gastamos todos do mesmo!
Pois este é o maior flagelo que Zeus criou,
agrilhoando-nos com correntes inquebrantáveis,
desde o tempo em que Hades recebeu
aqueles que combateram por causa de uma mulher.
 .
Excerto de poema de Semónides de Amorgos - séc. VII a.C.

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