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domingo, setembro 15, 2013

Dia do Bocage



Nascido em Setúbal às três horas da tarde de 15 de Setembro de 1765, o poeta Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage foi, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, filha do Almirante francês Gil Hedois du Bocage que chegara a Lisboa em 1704, para reorganizar a Marinha de Guerra Portuguesa. Faleceu em Lisboa na manhã de 21 de Dezembro de 1805.

 

Lá quando em mim perder a humanidade

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

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