Pesquisar neste blogue

segunda-feira, abril 27, 2015

Coisas eternas

Soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura in "Antologia dos Sessenta Anos" 


Vasco Graça Moura, (3 Jan. 1942 / 27 Abr. 2014)


Sem comentários:

Enviar um comentário