quarta-feira, dezembro 17, 2014

foi-çe*


Nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte.
Séneca




*(foi-se) - escrever errado ou escrever certo é indiferente pois que a ortografia da língua portuguesa perdeu todo o nexo que possuía por força dessa porcaria chamada AO90; portanto, que se foda...

sexta-feira, novembro 21, 2014

cartão salmão





Eu tenho um cartão
Com cor de salmão
De sóice do PSD
Mas em 2015, já
Não voto o costume
farto do estrume.

Qué’iss amamentar
PPP’s, banqueiros
E demais porcaria?
Posso lá sustentar
Tantos politiqueiros
Tanta rebaldaria?!

Com o País a errar
Exigiram-nos o pior
P’ro poder emendar.
Mas ficámos a nu
Eles vivendo melhor
Nós levando no cu.

Quer seja bom ou ruim
Hei-de votar diferente
Em 2015, lá no boletim
Vai cruz num emergente
Irei portanto, e assim
Apostar noutra gente.

Efe - 2014-11-21

Colectânea de Poesia kitschunga

quinta-feira, novembro 13, 2014

poema matemático

Quem 60 ao teu lado e 70 por ti, vai certamente rezar 1/3 para arranjar 1/2 de te levar para 1/4 e ter a coragem de te dizer: 20 comer.

 

sábado, maio 17, 2014

a draga preta



Ouvi agora senhores uma história de assorear
Contada nesta terra de grandes lobos-do-mar:
Lá vem a draga preta que tem muito que arranhar
Para remover tanta areia e o fundo aumentar
Em rias, rios, lagoas e praias do litoral
Arranha e chupa fundos em todo Portugal
Quereis vós senhores, os vossos fundos aumentar?
Então chamai a draga preta…
                               … que vos há-de arrebentar.

efe
Poesia kitschunga marítima



quarta-feira, abril 02, 2014

reestruturar... cautelar




.
Reestruturar ou não reestruturar, eis a questão: será mais nobre
Em nosso pecúlio perder dedos e anéis
Que a Europa, prestamista, nos exige,
Ou insurgir-nos contra um mar de credores
E sem luta, fenecer no suicídio? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil caganças do homem português:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso desse sonhar que ousamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os spreads e a taxas do mundo.
E se reestruturar não se decide, fica o cautelar por decidir
Que em coisas da decisão, sonhamos, sonhamos… que não.


paráfrase ChicoEsperiana

quinta-feira, outubro 24, 2013

voando



Num voo simples, um penoso afastar
Como teus olhos alheados piscando
Nesse bater de asas que rasga o ar
E rasgado resto, moribundo, arfando.

domingo, setembro 15, 2013

Dia do Bocage



Nascido em Setúbal às três horas da tarde de 15 de Setembro de 1765, o poeta Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage foi, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, filha do Almirante francês Gil Hedois du Bocage que chegara a Lisboa em 1704, para reorganizar a Marinha de Guerra Portuguesa. Faleceu em Lisboa na manhã de 21 de Dezembro de 1805.

 

Lá quando em mim perder a humanidade

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

sexta-feira, março 15, 2013

Vate dêtár, pá

Dizem da grande poesia
Que é arte do português
Mas o verdadeiro talento
O seu anunciado destino
É andar sempre cagado
Fazer da merda portento
Que ao limpar o intestino
Solta o poema encravado.

terça-feira, março 12, 2013

do grande Bocage



Arreitada donzela em fofo leito
.
 Arreitada donzela em fofo leito
Deixando erguer a virginal camisa,

Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pelo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

         Manuel Maria Barbosa du Bocage

segunda-feira, março 11, 2013

dos mestres da poesia



Azares do caralho
.
Cansado de engolir caralhos que não via
um velho que do cu fizera ofício
achou por muito bem mudar de vício
e dar também aos olhos alegria.

Assim pensando, ergueu-se o debochado
e frente ao espelho, careca e todo nu,
põe-se a rezar responsos pelo cu
e a soluçar: repousa, ó desgraçado.

Ei-lo que sai em busca de um amante.
A sorte está com ele: logo ali adiante
uma picha se oferece aos seus lábios trementes.

Mas... ó maldito azar! Fica em meio o trabalho
porque o outro lhe foge com o duro caralho
donde pende, asquerosa, a placa dos dentes.

                                           Fernando Correia Pina