
Terça-feira, Novembro 17, 2009
num grão, apenas

Quarta-feira, Novembro 11, 2009
no silêncio da chuva

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
Balada da Neve
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.
Agusto Gil in Luar de Janeiro
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
ilha
eu
pássaro
de coração encetado,
tu
reflexo da lua,
brilhante.
os dois
estendidos
no areal
sob o manto de estrelas
cintilantes,
o meu olhar
imerso na tua formosura,
e os minutos
em horas
mudados,
e o braço
envolvendo a tua cintura.
bebo
eu,
pássaro,
a tua doçura
e canto,
os lábios apertados
de amargura.
Sábado, Outubro 03, 2009
num anjinho da Teresa para a Maria
contigo todas as irmãs se levantam
contigo, eu freira, me deito!
colectânea de poesia kitschunga de efe
;x
Segunda-feira, Agosto 24, 2009
mente...mente
se movi mente
nervosa mente
expectante
de palavras
em papel
procura
saber
se
.
engaja gente
im pertinente
que frequente mente
mente
descarada mente
mente
procurada mente
mas não engana
a gente
.
quem mente
desespera da mente
e aguarda
sofrendo
merecida mente
.
Sábado, Julho 18, 2009
Peganhento
Domingo, Maio 24, 2009
Última Visão Perfeita*
em que era preciso
em que era mesmo o mais importante de tudo
olhar de cima o que está debaixo
para ver debaixo o que está por cima
e claro concordaram todos
diferença de escada ou melhor ombros
quando o corpo ficou decisivamente cheio
decisivamente apto a recomeçar tudo
os abutres até os corvos encetaram imediatamente
um trabalho de fazer sacos
encher armários
e dar voltas à chave sobre o trinco comum
do vidro de ver-se por fora o que está por dentro.
Naturalmente que isto não causou sucesso
pois ninguém se importou vamos lá nada
os mestres os próprios mestres o confessaram
e mesmo começaram a escrever números
ou melhor uma distância grande
Isto sucedeu todos os dias
Calendários diários contaram sempre
tudo com uma distracção perfeita de pancadas
os sinais eram cada vez mais nítidos
pois era evidentíssimo que já nem
reparávamos sequer
quando um idiota perfeitamente solene
berrou que não era preciso
coisíssima absolutamente nenhuma.
Nada
não era preciso nada
a não ser
a loucura de o dizer.
..................................................
O absurdo aparente da desrazão da vida hodierna, num belo poema *de Vieira Calado. Mais poemas para apreciar no blogue do autor, aqui.
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Quinta-feira, Maio 14, 2009
uma coisa a fingir
Que é mal da memória
Um mal do antigamente
Como um fado da história
E não coisa do presente
Ter políticos fingidores
Fingindo continuamente
De engenheiros sabedores
E nós, crendo cegamente
Cuidamos, enganados
Que tais subtis doutores
Regem bem, honestamente
Porém, ai…fomos roubados!
Pelos pulhas fingidores
E quando abrimos os olhos
É tarde…
… estamos cagados!
Poesia kitschunga parida numa janela de comentário
Sábado, Maio 09, 2009
Na pedra
Reflexo do espírito
A eternidade
De um momento
Intenso
Vivido
Na Pedra
A Verdade
Ausente no coração.
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Quarta-feira, Abril 01, 2009
Ao amanhecer

vejo o fantasma de um barco
caravela de muitas descobertas
perdida na vastidão das águas
ao amanhecer.
Num momento de contemplação
observo-a voando em linha recta.
Linha imaginada no centro do rio
ao amanhecer
Nessa hora ainda difusa e húmida
que em mim traduz a solidão
observo a gaivota que voa
e ela prende-me com um laço
ao céu, ao rio, à memória de ti
outrora ancorada no meu ser
ao amanhecer.
Quarta-feira, Março 25, 2009
vasos sanguíneos dilatados
ancora no azul pálido do meu céu
Meu?
E nas águas lisas se reflecte
o rosto simétrico iluminado
Meu?
Pensativo no constante partir e chegar.
Que faço aqui, encerrado em corpo
herdado que me é estranho?
E este corpo é meu?
Se sim, não sei.
Nem se espera um começo, amanhã
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
borração
bebendo, bucólico
um alcoólico
chora um desamor
de coisas falsas
mas, de repente
dentro das calças
um viscoso sente.
Domingo, Fevereiro 08, 2009
poesia popular, certamente
Há um primeiro-ministro que mente.
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de modo tão pungente,
Que a gente acha que ele mente sincera/mente.
Mas que mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão habitual/mente,
Que acha que, história afora, enquanto mente,
Nos vai enganar eterna/mente.
Sábado, Janeiro 17, 2009
o cúmulo do platonismo
Foi questão de momento. Alucinado,
Despenhei-me a seus pés avassalado...
Não podendo da mente mais riscá-la!
Gastei parte da vida a requestá-la,
Sentindo o meu amor galardoado
Sómente com esse olhar meigo e velado,
Com que a via vendo-me indo vê-la!
Mais que a terra ama o sol quente formoso,
Mais que os anjos a Deus, endeusei-a...
Dedicando-lhe um culto fervoroso.
Não sei bem, se de amor, se de dó cheia,
Quiz um dia elevar-me ao céu do gozo...
E lançou-se nos meus braços - Desanquei-a!!!
:D
Segunda-feira, Janeiro 12, 2009
lareiras da treta
Como lareira na Invernia
O meu amor por ti ardia
Fosse noite fosse dia
Incendiando o peito ia
Como fogo em brasia
Queimando lenha à porfia
Até que, num certo dia
Consumida a carvoaria
A lapeira ficou vazia
E hoje, gélida, jaz fria
Agora, se buscares renovado amor
Terás que arranjar, um bom aquecedor.
:D
Quarta-feira, Novembro 05, 2008
O sino e o relógio
Sexta-feira, Outubro 17, 2008
A briosa tartufa
estou
e um cavalo xairelado
está
pastando languidamente
no ervascal
e o silêncio
em contra-luz
ela
sob a xamata persa
de pé
imóvel
no limite do horto
desligada do pensamento
parada na memória
de alguém
atirado ao origma
num tempo longínquo
quando as flores
minúsculos botões
suspensos
aguardam
ainda
o raiar da luz
que as avelhenta
no outro canto
eu
ávido
de um olhar alegre
aguardo
incauto
do teatro
que mulher
e cavalo
aviam
o regresso
da Lua
e a verbena
que reunirá
as bacantes
por dentro
sorri
ela
petulante
Sexta-feira, Julho 18, 2008
Glosando coisas arcaicas
Meus olhos ficam tão tristes
Quando escondes o teu sorrir
Que nunca tão tristes vistes
Janelas, assim, do sentir
Menina,
Saudosos do teu sorrir
Que nunca tão tristes vistes
Em tão profundo penar
Olhos que te vêem ir
Esperando o teu voltar
Sábado, Julho 12, 2008
no calor dos dias
Ofuscado pelo calor do sol reverberado na calçada polida, em redor dos canais por onde circulam estranhos, assalta-me a maldade de escrever. Maldade que me cometo, afrontado pelo desejo de explorar insuspeitos recantos de mim. Queima-me por dentro o ar quente deste Verão, quase tanto como as palavras que chocam entre si procurando o sumidouro para o exterior de mim. Se me aproximo do rio atiro-as às rochas, estas palavras ardentes. Por isso vagueio pelas ruas interiores, longe do mar, resguardado da aragem de Norte. E ardo, os pés na calçada, os pulmões ao ar, e nas veias as palavras rubras como pedras luzidias no entardecer.
Segunda-feira, Junho 30, 2008
a foice doirada

na sombra dos choupos
na margem da ribeirinha
olhos semi-cerrados
deixando entrever
reflexos prateados ondulantes
quais farrapos de sol algarvio
que a ramagem coa
para as ondas saltitantes
da água serpenteante
entre seixos lustrosos
encostada a mim
reclinados na margem
sobre manta de retalhos
que cada quadrado
evoca um serão serrano
cosido à lareira
de histórias antigas
em noite
sem fim
uma mão percorre-te
na outra a foice sagrada
da coxa detêm-se no ventre
quente
palpitante
de emoções
que te fecham
as janelas da alma
colando as pestanas
e a cabeça descai-te
no meu ombro
suavemente
provo os teu lábios
enquanto
num ramo mais alto
um guarda-rios trauteia
uma melodia
preenchendo-te-me os vazios
e eu
druida no bosque
por vezes homem
noutras fauno alquimista
enlaçado na árvore que és
como cada mulher
transformo-te-nos a tristeza
numa alegria presente
que não deve ao passado
e nada espera do futuro
esse devir que não existe
pois não é mais do que agora
visto de ontem
e essa criação
é a alegria momento
com que me
toco-te
por dentro e por fora
levando a foice doirada
a beijar
o imenso verde
dos teus olhos.
Quarta-feira, Abril 16, 2008
nos teus olhos, o universo

encontrei os teus olhos escuros
num edifício enorme
sobranceiro ao mar
de ondas revoltas
que se quebram
nas minhas mãos
provenientes dos confins
dos universos que habito
Encontrei-te ontem
e antes disso
sorriste também
mas não era alegria
e sim apreensão
nervosismo, receio
de te perderes
nos universos que me habitam
És apenas uma miúda
que tudo vê de um só ângulo
ainda não aprendeste a coragem
de quem caminha na chuva
de quem não teme molhar-se
de quem não estremece com trovões
encolhida, nada adianta
o universo tudo contém e absorve
tudo molha e tudo seca
como o universo que habito
nos teus olhos escuros.
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
fumos frágeis
um calor que invade
expelindo-me a alma
em volutas de fumo
que se libertam
equilibrando nelas
a vida
e nesse receptáculo
o prazer da inspiração
melancólica e alegre
da livre escolha
entre luminosidade
e clandestina presença
cresce de/em mim
Domingo, Janeiro 13, 2008
tacteando
de histeria
que roda as horas na velocidade do ponteiro dos segundos
preso no tempo do Tempo.
na inquietude que impede olhar o horizonte todo
punindo a felicidade de admirar o belo
no cimo do monte.
e apressa as pernas, erradamente trémulas
na descida aos vales
luxuriantes
doces
…
ais
…
regresso ao tédio
repetindo-me
cego.
edit.jpg)
foto: "nana"- efe
Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Receita para um Ano Novo
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Domingo, Novembro 18, 2007
telhas

de topo ou corredeiras
humildes ou sobranceiras
novas, gémeas, indistintas
aparam a água da chuva
o calor, o frio e o vento
criando cicatrizes ao tempo
velhas, cheias de ranhuras
já não abrigam tudo, porém,
o bater repetido das agruras
mas serão, ainda, telhas
protegendo, bem ou mal
que telham o presente?
ou será que, afinal
não são telhas, mas gente?!
Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Tu,,,

Imersa em escuro sonho
recordo ver-te partir
gelada...
que nem as lágrimas me aqueceram as faces
e tu, esguio, foste
viraste as costas e não mais voltaste
chorei...
e louca de paixão te procurei
juntei forças para arrancar do peito
sem dó
o orgulho que me impediu
de te ter nos braços…
essa paixão que nos cega, encandeia e entontece
e não vi que tu não eras mais tu
que não havia TU
que os nossos momentos não voltariam
ingénua, uma vez mais, chorei
e mesmo agora, que penso em ti
e apaguei os teus sinais do meu corpo
sinto que estás em mim, inteiro
e que não te posso apagar totalmente
sem me apagar a mim primeiro.
Quinta-feira, Setembro 27, 2007
"Puema pá Aninhas" (Lonelyangel)
essa sim, assalta-nos com tal ardor.
Inusitado e incontrolável sentir
resultará de químicas reacções
vindas de eléctricas alterações
geradas no labirinto EU.
É, não duvido, dos mais belos
sentires que podemos experimentar
doloroso, atroz, até de lágrimas soltar
abre janelas insuspeitas no edifício do ser
transforma-nos, denuncia e corrói
as almas que julgamos imperfeitas
assim nos prostra, e quase nos destrói.
Então, seres patéticos
vivemos no fio da intensidade
interior e exterior do Eu em nós
e, ou unimos, regressando à greda
ou, vivos, continuamos sós.
efe
2007.09.27 - 9:45 (no CanalFoto)
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
Adoração, seria?
Amor, amizade ou paixão
Houve, há ou havia?
Dentro do meu coração
As coisas são como são
Não aquilo que queria
Quarta-feira, Setembro 12, 2007
Versos Nus

Algumas respostas aqui.
Terça-feira, Agosto 14, 2007
Espero-te-me

Agilmente saltou do seu leito
imitando um gato, com leveza
espreguiçou o seu corpo.
O chão quente, do sol madrugador
sobre os seus pés descalços
o chilrear dos pássaros lá fora
tudo a fazia sentir-se perfeita.
Envergou o vestido vermelho, calmamente
como se não existisse o tempo
abotoou cada botão com suavidade
A brisa de verão, com cheiro a café,
brindou-a à saída do quarto
Nunca antes pensara que estar só
era a melhor companhia.
Segunda-feira, Agosto 13, 2007
fosse eu pintor
Domingo, Agosto 12, 2007
Nuez
Ligado às máquinas a morte
vive vegetal aos quadradinhos.
Coisas leves dadas à boca dos velhotes.
Soro & Sonda. Vota em hóstia a irmãzinha
dos carelaques. Ri-se ao portal
que dá para a bênção da gadeza.
É como nos filmes, limpa-se
a trampa aos gansos, tosse-se
o que haja ainda de pleura para tossir.
Em telha vã, quem lhes dera
fazer tropelia e prognósticos. Rumores,
a quem à sede queria ser
o próprio outro.
in NUEZ, poemas de Rui Baião e fotos de Paulo Nozolino - Editora Frenesi - Lisboa 2003
Sexta-feira, Agosto 10, 2007
co'a pedra
Quarta-feira, Junho 20, 2007
poema com palavras
sem sentido
palavras perdidas
entediantes
desconhecidas
palavras maltratadas
amputadas
escorraçadas
desprezadas
desamadas
são as palavras que jazem
nos dicionários e livros
dos modernos e dos antigos
desaprendidas e esquecidas
essas pobres palavras
nas línguas das novas bocas
imberbes, pueris e loucas
lentamente, os signos transfiguram-se em símbolos
repetidos à exaustão nesta sociedade alucinada
drogada em miragens e discursos visuais estéreis
que transformam palavras em seres hostis
mas esta pequena palavra
que ficou aqui, assim, esquecida
quieta, serenamente adormecida
em que pego ternamente
como num passarinho doente
e coloco letra a letra
dentro de mim, suavemente
sem temer qualquer perigo
guardo-a para usar generosamente
esta simples palavra “amigo”
Sexta-feira, Junho 15, 2007
Terça-feira, Maio 15, 2007
lulas cheias
que morra a poesia
e fiquem apenas
as cascas das palavras
que rechearei
com chouriço
arroz
especiarias
e raios de cefalópode
que comerei
.
já que uma Lua cheia
nunca me encheu a barriga.
.
Sexta-feira, Maio 11, 2007
tu, eu
num vórtice eterno
de ternura, e não coisa diferente
em tempo suspenso, no presente
era o que construía na mente
Eras tu, e era eu
querendo, igual ao meu, o sentir teu
numa relação simples, nada atrevida
como a luz natural
no céu azul da vida
Sem fugas nem mentiras
em livre relação sincera
de pura e firme verdade
de simples, simples amizade
Eras tu, e era eu
os dois sorrindo
de nada mais que simpatia
era isso simplesmente
e apenas isso, o que queria.
Porém, sem saber
da nossa semelhança
descuidei, e comprometi
mesmo com a perseverança
naquilo que procurava em ti
esse pouco que havia, perdi.
Insisti no que querias esconder
nunca sendo ofensa para mim
era coisa complicada para ti
e assim, acabei por te perder.
Mesmo longe de mim
afastada do olhar e do sentir
sem poder de novo, sorrir
continuo a gostar de ti, assim.
Domingo, Abril 15, 2007
pergunta à maresia
Quinta-feira, Abril 12, 2007
semânticas
amar não tem apenas sentido passivo
tão-pouco apenas activo
está num meio-termo
conjuga-se a meio de dois corações.
dizer “amo alguém”
é dizer o quanto me quero bem
é como quem diz “confesso-me”
e no preciso momento em que me revelo
a revelação é feita a mim também.
eis que toquei o mundo dos deuses
e o dos homens numa só expressão.
amor/humor
.
se viesses hoje
Se tu viesses ver-me hoje
movida por suave toque de loucura
E me tocasses com os teus lábios
com desejo e desenvoltura
com muita graça e desconfiança pouca
e me prendesses num abraço de sentimento
com os teus beijos e o teu sorriso
Se tu viesses linda e louca
entraria no Paraíso
.
Quinta-feira, Abril 05, 2007
Don juan
Não cuida se é rica,
Se é feia ou se é bela;
Desde que traga saia
Já sabeis o que faz dela.
Lorenzo Da Ponte
Quinta-feira, Março 29, 2007
são linhas

são linhas
de horizontes
de alvorada ou entardecer
linhas verticais
coladas umas
outras montadas
com horizontais
juntinhas
sobrepostas
pesadas
são as linhas
firmes
coloridas
acesas ou apagadas
estão em tudo
estão vivas
linhas de árvore, chaminé ou quarto
linhas que crescem quando chego
linhas que minguam quando parto
são linhas que ligam
interiores
de uns a outros
gente a gente
gente à cidade
são linhas de ida
e de regresso
são linhas da vida
são milhões
as linhas
são minhas
são tuas
regressamos por todas
vindo por duas
.
Segunda-feira, Março 26, 2007
Anjo
o brilho dos teus olhos
enquanto sorris
De olhos cerrados
sinto o teu perfume
na minha pele
oiço o teu riso
Doces lágrimas
escorrem de mim
e sinto a salgada saudade
de estar contigo
de te abraçar
roubando-te beijos
ou simplesmente
ver-te dormir.
Quero-te meu anjo
Quinta-feira, Março 15, 2007
para acabar de vez com a poesia
.me
no q u int al
gai
vota
enca.........lha da
n uma
es pia
da cha
mi
né
DA
la r e ir a
bem feita!
Terça-feira, Março 13, 2007
mais um poema kitschunga
já a deitara, a muito custo
e pregaste-me tamanho susto
que saltei pela janela nú
julgando chegar o pai augusto
ai sino da minha perdição
se me denuncias as marteladas
não darás mais badaladas
mando-te para a fundição
"puema" parido dentro da janela dos comentários do blogue http://tristeabsurda.blogspot.com/
paixão
não é mais
que exaltante ilusão
que a maravilhosa irracionalidade
nos impõe, de supetão
em qualquer idade
Sexta-feira, Março 02, 2007
ai quem bem que se está aqui
à beira-mar plantada
chamam-lhe democracia
anda mal disfarçada
e a massa ralé, iludida de poder
vive de bodos e perene abastança
mas quem manda, está-se a ver
é a oligarquia da alta finança
e esses finórios de grande manha
que devoram toda a esperança
são filhos de padres de Espanha
e primos de pedreiros de França
Quinta-feira, Março 01, 2007
bruxa e emanação
Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.
Drumond de Andrade
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
uma vieirinha
se a minha doce amiga
gosta ou não de contar
que é por mim irritada
devido ao seu azar
por ser desmacarada
de perfídia padecer
tentando tal ocultar
e a verdade esconder.
Dessa linda menina
somente posso dizer:
É bela e maneirinha
parecendo reservada
vivendo em conchinha
mas é subtil e ousada
como no mar a vieirinha.
Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Um dia...
toda a minha vida ficasse bem
ficasse bonita...
colorida talvez...
Queria poder sonhar com a tua cara...
olhar o teu ohar
sentir me completa...segura...
Queria sentir-te a meu lado...
com roucas batidas
saber que estás a velar por mim...
Queria ter a certeza de que existes...
mesmo que distante
mesmo que impossível...
Queria acordar...
Ver que estás aqui...
que não estou só...
Que as lagrimas não escorrem
Que os sorrisos se soltam...
Terça-feira, Janeiro 23, 2007
A intensidade das coisas
define-se no espaço,
o seu perfil intransigente
habitado pelos ângulos da luz.
Nada se afasta do seu interior acto de destruição,
a fenda do nevoeiro envolvendo
o halo dos rios, numa ideia que passa.
As coisas são o espectro próprio das coisas,
o seu movimento fortuito, uma voz lenta
descrevendo os cinzentos, a cor negra
das ausências, como um canto extinto.
Apenas permanece, no decurso aberto
que habita as lembranças, uma intensidade
idêntica ao exercício rigoroso das palavras.
Inédito
Vieira Calado
Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
a cada uma das minhas amigas
que brota dos corações
devia ser alimento
matando fome a milhões
mas não posso alimentar
tão faminta multidão
apenas te quero guardar
num cantinho do coração
o melhor que eu senti
a maior preciosidade
foi mesmo sentir por ti
uma sincera amizade
não sei se já te contei
de uma amiga linda
que na net encontrei
não a conheço ainda
e nunca a fotografei
tá sempre bem disposta
ora alegre ora serena
e dá-me cada resposta
o raio da pequena
não é uma miúda à toa
tem coração verdadeiro
estuda lá para Lisboa
mas vive no Barreiro
também faz fotografia
e é muito empenhada
andando neste vaivém
nunca fica stressada
murmura, segreda e fala
abre, belo, o coração
como se abre uma mala
e ouve com atenção
mas nunca cobra nada
e esta pequena amizade
tão simples e pura, assim
sendo feita com verdade
chega, e sobra, para mim
não conheces esta amiga
isenta de hipocrisias?
pois fica sabendo
que é a linda, Ana Dias.
;)
Sábado, Dezembro 02, 2006
poema
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
uma alegria que flui
anunciada alvura do dia
aparta-me os braços
da noite enlaçados
na memória ferida
Abro os olhos
e observo detalhes
da beleza que cerca
apagando resquícios
de perfídia
Escuto o som outonal
em melodia
que o vento toca
como bom jogral
Melancolia ultrapassada
desperto agora
da mágoa superada
em pujante e deliciosa
alegria.
Segunda-feira, Setembro 18, 2006
poesia
Alvares de Azevedo
Quinta-feira, Agosto 31, 2006
gira o catavento

Gira, gira o catavento
Volteia cortando o ar
Empurrado pelo vento
Roda certo sem pensar.
Num eterno lamento
Diz-me coisas sem falar
Em segredos que conta
Num suave murmurar.
É um vento exaurido
Que parece o suspirar
De um coração ferido
Por não poder amar.
Podias ser catavento
Galo, peixe ou pavão
Afinal és uma flecha
Disparada ao coração.
E este vento amigo
Que traz o teu perfume
Faz-me sonhar contigo
E alimenta-me este lume.
Pára quieto catavento!
E deixa-me descansar
Porque já não aguento
Todo este rodopiar.
Quarta-feira, Agosto 23, 2006
apenas isto

assaz suspeito
o meu querer
é ver-te
e aceitar-te
como és.
O meu desejo
é falar-te
e construir
com as palavras
uma pequena ilha
encantada.
O meu sonho
é ficar-me
depois
absorto
e enlevado
na recordação de ti.
Sem razão especial
sem pretexto adicional
e meu propósito é
ser-te franco
e receber
a tua sinceridade
para que entre os dois
não exista falsidade
nem o horror do silêncio.
A minha esperança
espera
que um dia
um qualquer dia
próximo
ou distante
a tua necessidade
de mim
por um qualquer
simples
ou ignoto motivo
te traga
envolta num manto
de serenidade
e
sem constrangimentos
te entregues
à minha
incondicional
amizade.
francisco
Terça-feira, Maio 23, 2006
O castigo
Domingo, Maio 21, 2006
Adeus
sempre sorridente
cheio de vida e alegre
sempre presente
e quando a doença te negou a alegria
encontraste motivos para sorrir
eras tão simples mas tão generoso
que encontravas
num jogo de cartas
ou no futebol
um ânimo contagiante e poderoso
foste um simples a quem a vida
alegrias duradouras não quis dar
mas à qual insististe
sempre
em arrancar
vencidos os sofrimentos
descansa agora em paz
pois sem mais lamentos
ficará a tua memória
nos nossos pensamentos
a Leonardo Carvalho (n. 04-04-44 / f. 22-06-06)
Sábado, Maio 20, 2006
arco-íris (p/ Ele)
Prostrada sou uma ilha que percorres
E descobres as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
Ou se te mostro só que me delicias
Amigo, amor, amante, amado… eu morro
Da vida que me dás todos os dias
Eu ponho e reponho o meu destino
vou mais longe naquilo que disfarço
Eu ouso o coração e reafirmo
Bordando o arco-íris do que sou frágil
da felicidade
como uma borboleta
Domingo, Maio 14, 2006
Sereia, que cantas?

surreal e humana sereia
que as ondas fazem sonhar
contigo deitada na areia
poemas de amor a cantar
ao som da tua harpa
iluminada pelo luar
escutando volta e meia
se o som que troa no ar
é grito lancinante
de navio a naufragar
ou insidiosa dor
de coração que chora
por não te poder amar
2006.05.14
Quinta-feira, Maio 11, 2006
meias vermelhas

Num fim de tarde de Verão
tropecei numas meias vermelhas
que guardavam duas lindas pernas
Estavas deitada no areal
e essas meias vermelhas
de um vermelho vestal
eram como farol no escuro
indicando como porto seguro
o teu corpo tão alvo e puro
E tu olhaste para mim
olhando triste os meus olhos tristes
por não saberes o que sentir
por nada poderes sentir
Sabes...
o que dói não é a vida sem ti
é a vida depois de ti
porque o depois não tem fim.
(arte digital by O. Berandis)
uma gota
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Há tanta sensação que não conheço
Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto,
e contudo parece que as pressinto,
apesar de ver bem que as deesconheço.
A sensação que tem, à noite, o ar
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?
Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ância de quem morre afogado?
E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado...
João Lúcio
(retirado de Costa D'Oiro, Maio de 1936)
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Cada grão de areia
Cada grão de areia
tem uma história para contar,
dos milhares de pés que o pisaram,
dos milhares de anos que por ele passaram,
histórias de amor e de ciúme,
histórias de alegria e de tristeza,
histórias que todos trouxeram
e que os olhos derramaram.
Cada grão de areia é um arquivo infindo.
Cada milhar de grãos de areia
é um milhão de histórias.
Cada história é um monte de sentimentos,
agruras, ternuras,
dores e vaidades,
que nos tocam ou nos atingem,
nos ferem ou nos provocam,
nos roçam a sensibilidade
ou nos rasgam as entranhas.
Histórias há milhões, biliões,
como grãos de areia,
quem as ouve? quem as conhece?
Guida Vieira (in Por Amor – Lagos 2005)
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
um poema...apenas
(gritou da varanda do 3º andar, para a rua, o homem que chamava a neta)
Ele
2006.01.20
Terça-feira, Janeiro 10, 2006
A transparência desta vela enfunada
sobre o mar
Azul,
mar azul com farrapos prata espalhados,
traz-me a nostalgia dos países distantes,
das pessoas que amo sem conhecer,
dos gritos que escuto ao amanhecer,
da beleza que aguarda, serena,
pela descoberta
Guida Vieira (in Por Amor – Lagos 1995)
Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
ausência
a razão a travar-me
a angustia e as lágrimas
ou o mistério dentro de mim
a dor presente na memória
nas trevas, na noite
na ausência de ti
no teu silêncio
que não tem hora
para não estar
como o meu imenso pesar
Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
caixinha de música
solta um PLIM...
onde se guardam memórias que perdemos
nos veios dos tempos...
Caixinha de música totalmente aberta
donde se soltam ramos de árvores
com folhas sussurantes
acompanhando músicas suaves
dos tempos de memórias perdidas
guardadas no fundo da caixa
e esquecidas.
Guida Vieira
Terça-feira, Dezembro 27, 2005
sentindo na tristeza
outras vezes sem motivo algum, apenas absorto
vindo de dentro de mim, porque sou ser vivo
ou pelos males deste mundo com defeito e torto
e vem a tristeza de uma palavra ou de um gesto
dos que têm um amor mas desconfiam continuamente
ou dos que têm um relógio e correm desalmadamente
quando há tanto que fazer e não se pára para ler, nem rir
nem ouvir música, nem brincar, nem mesmo para sentir
e assim, neste deserto de alma, um sentimento é bem-vindo
até um entusiasmo, uma melancolia ou uma paixão
qualquer sentimento, quer fique chorando ou rindo
qualquer coisa é boa, até uma simples e fugaz emoção
e assim ao sentir algo sinto uma alegria
e sentindo, sinto a vida nova e revitalizada
porque triste, triste mesmo, é não sentir nada.
Ele
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
sonho nebuloso
como um sonho nebuloso
em que fico absorto, e assim
irei navegando ansioso
pelos mares sem fim
sonhando atracar em teus braços
meu lindo anjo de cetim
Ele
2005-12-22
Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Fuga
Sem fim
Vagueando pelas ruas
Pensando em ti
Fujo de ti
Querendo-te encontrar
Fujo de ti
Querendo-te amar
Que amor impossível…este
Que de mim se apoderou
Sem ainda perceber
Porquê?!... teu coração me chamou!
Entre encontros e desencontros
Nos perdemos…
Nesta estrada sem fim
De sentimentos
Pela face
Correm-me as lágrimas
Lembrando-me de ti
Fujo
Sem saber para onde ir
Fujo de ti, e de mim
da Ana para alguém muito especial
Maio 1999, mas ainda muito actual
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
duas coisas (p/ Rivatti)
Eu gostava de possuir
O teu olhar doce e profundo
E o teu modo gentil de sorrir
Não dizes que gostas de mim
E se gostas, eu nunca senti
O teu gosto é outro, isso sim
Gostas é que eu goste de ti
Ele
2005.12.02
Fazer poemas
não é mais do que o olhar
nem é a estação nem é a viagem
a poesia, caro leitor, é apenas a paisagem.
Há na poesia uma tranquilizadora calma
que muito transforma em amor
quem sente, vê e fala com a alma
fala mais certo, vê mais longe, é superior.
Ele
Quinta-feira, Dezembro 01, 2005
Amiga (p/ Rivatti)
eu queria escrever-te um poema longo, sem fim
mas para quê, sinceramente?!
se no fundo apenas quero dizer-te que gosto de ti,
assim, simplesmente.
às vezes tenho que pegar no livro
para ajustar uma palavra
pois nem tudo o que escrevo, sinto, ou vivo
pois nem tudo é de minha lavra
no dicionário procurei
palavra para rimar
quando AMIGA encontrei
o livro pude fechar.
Ele
Quarta-feira, Novembro 30, 2005
de um sonho
Sonho
um sonho
vindo de longe
nem sei de onde
em asas de borboleta
que são olhos
teus
olhando os meus
e entrando
no meu coração
Sofro
mas não desperto
não acordo
imerso nesta fantasia
esqueço a amarga realidade
mas não evito a angústia
que me invade
e desgraçadamente
refém desta saudade
suspiro por ti
desesperadamente.
Sinto
a dor deste sentir
não correspondido
como te é votado
e assim desiludido
num coração magoado
sinto-me só e perdido
quando afinal
desejo apenas, amizade.
Terça-feira, Novembro 22, 2005
Poema Implícito (de LolaViola)
Toca um corpo salgado de mar ou lágrimas sedento da maré-cheia.
Acaricia um corpo feito de seda,
que traz com os búzios carícias sonhadas sussurrando baixinho gemendo na onda que beija a areia.
Mergulha na concha devoradora que te acolhe, sente o meu corpo em chamas ao teu toque suave.
E eu… seguro o teu mastro a pino;
sou a tua vela que se enrola e desenrola transformada em língua da minha cor do desejo.
No silêncio dos mar de espuma.
Nos lençóis alvos ainda oiço-me no meu silêncio, iço-me no teu corpo em auge.
Navego-te, montando a tua aventura
Fecho os meus olhos de espanto
Sabe-me a boca à tua aventura por outros mares
Desejo o meu final no teu, em fugaz e efémera união.
E recebo o teu espanto no meu peito, sou o teu orgasmo, a tua espuma...
os lençóis são o meu oceano
coloridos agora de memórias de paixão.
LolaViola
Domingo, Novembro 20, 2005
A ostra
Da tua ostra
colho
teus gemidos
fluidos
e sementes
que trago
entre dentes
Na tua ostra
enterro
a ponta
do arpão
como ferro
que perfura
teu interior
e solta
o amor
Na tua ostra
encontro
a pérola
húmida
expectante
quentinha
que te faz
tremer
gemer
e ser
minha
Ele
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
palavras profundas
LolaViola
Terça-feira, Novembro 15, 2005
Estou aqui...
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -
a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos
agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,
meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
A ti francisco e nana, que eu tanto amo...
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
desânimo
de desalento, de desencanto
sai deste blogue, se no momento
não tens motivo certo de pranto
E é poesia de sangue quente
que se derrama, caindo ao chão
vertendo das veias veloz e ardente
deixando-me vazio o coração
E esta poesia vomitada e louca
provindo de fel que sai e escorre
deixa-me intenso amargo na boca
pois faço poemas como quem morre.
Ele
2005-11-13
Domingo, Novembro 13, 2005
Sentimento
agradeço a preocupação
espero que o sono e a tv
não te afastem a inspiração.
Não consigo imaginar agora
que brincadeira seria...
mas se te pôs a rir e animado
por mal não a condenaria.
Amanhã julgo encontrar-te
se não for às 11 às 03
dedico-te o meu sorriso de alegria
e um sopro de meninez.
Vislumbro nas tuas poesias
pensamento e encantamento
vives com a razão
mas versas com o sentimento.
SF
Algum dia (aos antónios perdidos nos labirintos mentais)
anunciará altivo
que Deus é raiz quadrada
de um quantum negativo
e o Deus que tanto procuro
em que atingido me afundo
é aquele ser-não-ser
do que acontece no mundo
da matéria mais que densa
é que é divertido ser
ali se nada acontece
tudo pode acontecer.
in Uns Poemas de Agostinho, de Agostinho da Silva; edições Ulmeiro, 2ª ed. Maio de 1990.
A quem faz pão ou poema
só se muda o jeito à mão
e não o tema.
in Uns Poemas de Agostinho, de Agostinho da Silva; edições Ulmeiro, 2ª ed. Maio de 1990.
as melhoras, amiga (p/ S)
Fico aborrecido e preocupado
Antes fosse só uma tossezinha
E não coisa de maior cuidado
Desejo para amanhã melhoras
Assim poderemos conversar
Ou logo pelas 11 ou lá para 3 horas
Melhorzinha te espero achar
E que fiques boa depressa
Para podermos brincar
Nem te passa pela cabeça
O que agora está a dar
(nesta altura desmanchei-me a rir…
e perdi a inspiração
é hora de ir dormir
assim termino a sessão)
Ele
2005-11-13 – 2:26
Escuto-te
escuto o que pensas, como se te ouvisse falar
ouvindo-te mexer nisto e naquilo
e os teus dedos no teclado a teclar
Fico impressionado e penso
se tudo o que és e fazes
é assim por mim escutado
como não hei-de aceitar
ficar tão maravilhado?!
Ele
2005-11-13
O teu corpo (p/ R)
como se difunde a secreta ambição
de uma distância impossível
Quando na noite a saudade de ti avança
repito-me que não te evoquei
que é apenas uma provocação
uma partida da mente
e afasto-a rapidamente
para longe da incerteza
e desta cruel pureza
pois dela nascendo um desejo
nela se dissipa.
Ele
2005-11-13
escrever
Lendo e relendo o incerto, inseguro,
aquilo que dificilmente compreendo
e me faz escrever estas palavras
obrigadas por aflições e equívocos.
A meio da noite escrevo
como um céu que se abre
mostrando estrelas brilhantes
para lá do infinito do azul
como mar que se evapora
deixando apenas o sal
sentindo-me já liberto
desta paixão que me reduziu
e agora é nuvem derramada
ainda insistindo em tapar o sol
mas que num lento adeus
declina rumo ao ocaso.
Ele
2005.11.13
Sábado, Novembro 12, 2005
Poemeto Erótico
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa...flor de laranjeira...
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes''
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...
A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...
(Manuel Bandeira)
Amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
(A. Azevedo)
Quinta-feira, Novembro 10, 2005
os nossos corpos (p/ N)
São por vezes borboletas
E a noite o céu onde voam
Os nossos corpos juntos
São por vezes longas lianas
E a noite a árvore que enrolam
Os nossos corpos ligados
São por vezes relâmpagos
E a noite a tempestade que iluminam
Os nossos corpos lado a lado
São por vezes frias pedras
E a noite o deserto onde jazem
2005-11-10
o teu rosto (p/ R)
irradia uma luz silenciosa
que tudo revela e transforma
em paraísos e ilhas encantadas
visitadas num voo de pássaro.
Esquecer esse rosto é trucidar o coração
Ignorá-lo é viver cego aos tropeções
Não preciso repetir-te que o teu rosto
Apenas me promete impossíveis revoluções
Ele









